Risco elevado de novos surtos de Zika e Dengue em Cabo Verde

Risco elevado de novos surtos de Zika e Dengue em Cabo Verde

Estudo mostra que são necessárias medidas de Saúde Pública que incidam numa gestão mais eficaz dos reservatórios de água para consumo doméstico, de modo a controlar a dispersão do mosquito Aedes aegypti e, assim, evitar que Cabo Verde volte a enfrentar novos surtos de Zika e dengue, mas também de febre-amarela e chikungunya

Uma equipa de investigadores cabo-verdianos e portugueses avaliou, recentemente, a distribuição e a abundância do mosquito Ae. aegypti em nove ilhas habitadas do arquipélago de Cabo Verde. Os resultados do estudo confirmaram a presença do mosquito em todas as ilhas e, em 15 dos 22 municípios, o índice de Breteau – que estima a infestação por larvas de mosquito das habitações – apresentava-se acima do limiar do risco epidémico, chegando mesmo a atingir valores cerca de seis vezes superior nos municípios de Brava e Maio.

Os contentores com água para uso doméstico, sobretudo os que permanecem no exterior da habitação, foram os locais mais comuns de reprodução do mosquito, seguido-se os tanques e as cisternas. Porém, as poças de água foram aquelas em que se verificou uma maior produtividade, ou seja, em que a abundância das larvas era maior.

Depois de Cabo Verde ter enfrentado um surto de dengue, em 2009, e de Zika, em 2015, e apesar de todos os esforços desenvolvidos pelas autoridades de saúde cabo-verdianas no controlo da doença e das populações de Ae. aegypti, este primeiro estudo de avaliação epidemiológica do mosquito mostra que é necessário um reforço das estratégias e das acções locais e nacionais de Saúde Pública, nomeadamente de controlo efectivo do mosquito, em particular nas zonas identificadas com uma maior prevalência de larvas e elevada produtividade.

Segundo Hugo Osório e Maria João Alves, investigadores do Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, o mosquito Ae. aegypti pode transmitir vários vírus que podem causar doenças graves como dengue, Zika, febre-amarela ou chikungunya. Ademais,trata-se de uma espécie de mosquito que facilmente se adapta às zonas urbanas, onde se reproduz com grande facilidade, usando os criadouros com água presentes nas habitações e que geralmente estão directamente relacionados com actividades humanas.

São as fêmeas do mosquito que podem transmitir a doença, ao picarem os hospedeiros, neste caso humanos, para deles sugarem o seu sangue e assim cumprirem o seu ciclo de vida, colocando os ovos. Ao contrário dos mosquitos Anopheles, que transmitem o plasmódio da malária, e que têm actividade crepuscular e noturna, o mosquito Ae. aegypti encontra-se activo e pica durante o dia.

ISAMB/FMUL