Prof. Ivo Álvares Furtado

Ivo Álvares Furtado é médico estomatologista no Hospital Santa Maria, professor na Faculdade de Medicina e membro do ISAMB. Os anos de casa são proporcionais às suas realizações. Relativamente a associação ao nosso Instituto, diz “A preservação da integridade anatómica interage a cada momento com o ambiente”.

 

Q: Dentro da Anatomia Clínica quais são as suas áreas de interesse?
R: O desempenho da minha actividade no Centro Académico de Medicina de Lisboa reparte-se pela actividade clínica, sendo responsável pela Unidade de Estomatologia Pediátrica da Clínica Universitária de Estomatologia, e pela investigação de translação no âmbito da Anatomia Clínica do Crescimento e Desenvolvimento Craniofacial e do Sistema Estomatognático (Sistema Mastigador). Foi neste último âmbito que foram realizados os trabalhos conducentes à minha tese de doutoramento, subordinada ao título “Má-oclusão dentária e disfunção têmporo-mandibular: estudo anátomo-clínico e epidemiológico em crianças de idades escolar e pré-escolar”, à investigação para a minha agregação, intitulada “Apresentação do método anátomo-clínico de faciometria directa em crianças com objectivos propedêuticos” e à tese de doutoramento que orientei, defendida recentemente na Universidade de Barcelona, sob o título “Estudio morfo clínico Craneofacial en Niños con Patología Respiratória Crónica y Respiración Oral”, já sem contar com a orientação de várias teses de mestrado. A actividade de Ensino e de Investigação no Instituto de Anatomia centra-se nas Regências das Áreas Disciplinares de Anatomia Clínica no Mestrado Integrado de Medicina e de Anatomia e Neuroanatomia na Licenciatura em Ciências da Saúde da Universidade de Lisboa e, a partir do presente ano lectivo (2018/2019), de Anatomia, na Licenciatura em Ciências da Nutrição. No âmbito destas áreas de ensino, tenho promovido e apoiado a investigação anatómica geral, aplicada a qualquer região do corpo humano.

Q: Quais os pilares de qualidade no ensino da Anatomia?
R: O Instituto de Anatomia da Faculdade de Medicina de Lisboa segue as recomendações actuais do ensino médico, integrando os alunos nas diferentes actividades, nomeadamente de ensino e de investigação. Assim, conseguimos desenvolver no aluno as suas competências científicas, de destreza técnica, nomeadamente cirúrgica e um raciocínio anatómico aplicado, que irá ser muito útil na futura prática clínica. A permanente motivação e desenvolvimento das competências de ensino creditado e de entreajuda e trabalho de equipa, ajudam os alunos mais novos a resolver as dificuldades nos temas considerados “mais difíceis”. Assim se cria uma fonte de renovação de recursos humanos com competências clínicas de excelência e garante da vitalidade da nossa Escola Médica.

Q: Como descreve o papel do GAPIC para a produção científica na Faculdade de Medicina?
R: O Gabinete de Apoio à Investigação Científica (GAPIC) é um instrumento essencial no apoio e incentivo à investigação feita por alunos da Faculdade de Medicina de Lisboa, tendo suportado 49 trabalhos de investigação do Instituto de Anatomia nos últimos 11 anos (2006-2017). É assim um pilar de ancoragem e lançamento de jovens cientistas médicos da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Q: Enquanto membro da nossa Unidade de Investigação (ISAMB), como é que se poderão criar sinergias entre a sua área de estudo e a saúde ambiental? Quais são as potencialidades desta associação?
R: A preservação da integridade anatómica interage a cada momento com o ambiente, estando exposta à poluição ambiental, atmosférica, ruído vibro-acústico, alterações posturais ou desencadeadas por equipamentos manuseados. Importa intervir ao nível das doenças músculo-esqueléticas e profissionais, entre outras, através da detecção precoce e implementação de medidas preventivas.

Q: Quais são as suas perspectivas futuras?
R: Nesta altura (2017/2018) foi-me solicitada e tenho em curso a orientação de 5 microprojectos de alunos monitores do Instituto de Anatomia em temas de inovação na reconstrução de deformidades, consequentes a neoplasias, nomeadamente mamárias, baseadas no conhecimento detalhado da vascularização de retalhos e suprimento vascular neuronal, tendo em vista o recobro da sensibilidade das áreas reconstruídas, nomeadamente a sensibilidade mamária. Com a abertura do Curso de Ciências da Nutrição abrem-se novas possibilidades de investigação, nomeadamente no âmbito do Sistema Estomatognático. Acabámos de submeter para publicação em revista internacional com elevado factor de impacto um artigo subordinado ao título “Craniofacial morphology according to breathing pattern”.