O projecto da Dr.ª Liliane Morais, aluna do Programa Doutoral em Saúde Ambiental, EnviHealth&Co, sob a orientação do Professor Doutor Paulo Nogueira (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa & Direcção Geral de Saúde), Professor Doutor António Lopes (Instituto de Geografia e Ordenamento do Território) e beneficiando da tutoria empresarial por parte do Engenheiro Jorge Ferreira (da empresa Qart), enquadra-se na área temática dos eventos extremos climáticos, especificamente o impacto dos períodos de calor excessivo na morbilidade e mortalidade hospitalar. O projecto de tese enquadra-se num Doutoramento que decorre em âmbito empresarial, pelo que a Dr.ª Liliane Morais tem o apoio da Qart – Soluções de Monitorização e Mapeamento Urbano Ambiental, lda para a execução do seu projecto.

Tem sido amplamente comprovado que uma das consequências das alterações climáticas são as ondas de calor. Os efeitos destes eventos na saúde pública são relevantes, afectando principalmente crianças, idosos, pessoas com doenças pré-existentes, especialmente cardiovasculares e respiratórias, bem como os ambientes urbanos pela sua particular vulnerabilidade. Embora Portugal já possua um sistema de vigilância e alerta de ondas de calor, torna-se necessário implementar medidas públicas adicionais para prevenir a morbilidade e a mortalidade associada a estes eventos. O projecto é concordante com a tendência crescente utilizada na vigilância da saúde pública e epidemiologia espacial, a Geomedicina. A sua abordagem permite a obtenção de informações geográficas que permitirão uma análise de contextos de saúde mais precisa que os estudos anteriores nesta área de conhecimento, tendencialmente caracterizados por análises temporais pouco pormenorizadas em termos espaciais.

O principal objectivo será identificar as áreas da cidade de Lisboa mais vulneráveis a ondas de calor, com um nível geográfico muito detalhado. Esta abordagem ambiciona criar um sistema de vigilância espacial para combater os efeitos negativos das mudanças climáticas na saúde pública, através da criação de um sistema específico de informação geográfica de saúde.

As técnicas de análise espacial (incluindo a geocodificação – processo de transformação de informação alfanumérica – moradas – em coordenadas geográficas, visando a sua representação espacial) serão usadas para identificar/cartografar as áreas de maior vulnerabilidade à morbilidade e mortalidade relacionadas com o calor, com base nos utentes internados nos hospitais públicos do município de Lisboa e nos registos de óbitos (fornecidos pela DGS). O período de estudo será de 2014 a 2017 e as patologias em análise serão as mais afectadas pelos eventos de calor: doenças cardiovasculares e respiratórias (obtidos pela ACSS), caracterizados por grupos de diagnóstico homogéneos (GDH) As disparidades espaciais serão ajustadas às variáveis demográficas, socioeconómicas, ambientais e urbanísticas, bem como à existência de infraestruturas de saúde pública.

Após a definição das áreas de maior vulnerabilidade, a doutoranda Liliane Morais prevê o desenvolvimento de sistemas preditivos para optimizar a produtividade hospitalar necessária para lidar com as ondas de calor. Mas muito particularmente, ao nível do ordenamento territorial, o desenvolvimento de medidas específicas de mitigação e adaptação fortemente associadas às necessidades de cada área, além da optimização de programas já existentes. O projecto pretende dar um forte contributo à sustentabilidade urbana e à promoção da saúde dos habitantes de Lisboa.